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domingo, 30 de agosto de 2009


"Detesto perguntar “tem escrito?”. Soa sempre como cobrança,
e quem faz esse tipo de cobrança
geralmente não sabe que a cabeça de um escritor é
louca demais para que se possa responder “sim”ou “não”.
Mesmo que não se esteja escrevendo realmente, a gente sempre está escrevendo por dentro."


(Caio F. - Carta a Charles Kiefer, São Paulo, 16 de novembro de 1982.)


Eu mesma, neste momento, estou escrevendo por dentro. Cheia de coisas em mim, loucas para pular no papel. Mas prefiro mantê-las assim, quietas. Essas, eu ainda posso controlar.


sábado, 20 de junho de 2009

Chico, o ministro e enterro do diploma

Voltei, meus queridos. A volta era para ter acontecido há muito, mas problemas técnicos adiaram meu regresso. Contudo, diferente que pensei, não, eu não me encontrei. Ao contrário, estou perdida. Aturdida. Impotente. Oito contra todos foram suficientes. O excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes, presidente do STF e relator da matéria, decreta a não obrigatoriedade do diploma exercício da profissão de jornalista, na última quarta (17). Já li tanta estupidez que prefiro acreditar serem considerações impensadas, ditas no calor da hora, quando o raciocínio é diminuído.

Não estou aqui defendo os quatro que passei dentro da Academia, apenas. Defendo o respeito que merecemos ter. Diploma, com certeza, não atesta se este ou aquele profissional tem talento, o qual acredito ser nato. Ontem, perplexa, li um colega: "No passado, o jornalista era aquele que escrevia no jornal e pronto. Hoje, depende do jornalismo, a meu ver. Depende muito da proposta". Ora, ignora aí a evolução das profissões. E digo: No passado eram os rábulas quem advogavam, como precários. Foi necessária a vinda da Famíla Real, época tão nefasta quanto os anos de chumbo, para a instituição dos dois primeiros cursos de jurídicos no Brasil. Contudo, a formação "prática" não ocorria apenas com a advocacia: dentistas práticos, como Tiradentes, médicos e curandeiros, engenheiros e toda sorte de profissionais tinham sua cota de praticantes. Mas, acabou. Inês é morta. Ou se é diplomado ou nada feito.

Por exemplo, nos idos de 60/70, a advocacia passou a ser prerrogativa exclusiva dos bacharéis em Direito. E porque cargas d´aguas há a diferenciação com os jornalistas, após anos de atraso? Canalhice, meus caros. Conchavo com as grandes empresas. A Rede Globo, por exemplo, louvou a decisão. Uma afronta, em "nome da liberdade de expressão". Mas ao que parece, eles confundem liberdade de expressão, com liberdade de impressa, com liberdade de empresa. É risível pra não dizer trágico.

Jornalismo é uma profissão secundária ao que parece. "Quem mostra competência pode fazê-lo sem ser formado, porém, faz-se necessário cursos para reciclagem, especificidades da área, respeito a determinações, ética, etc.", torna a dizer meu nobre colega, a quem tenho muito apreço. Não, meu caro, não mesmo. Digo-lhe que o buraco é muito mais embaixo, pode ter certeza. Não é preciso diploma, mas um curso de reciclagem! Em que? Em ética? Ética se tem ou não se tem. Os valores são adquiridos com as vivências e a partir delas sabemos o que é certo ou errado e, conforme for, decidimos de qual modo deixaremos nosso nome, que, como diz sabiamente meu pai, é a única coisa que temos.

É, Chico, a dor da gente não sai no jornal.

Votaram a
favor do relator: As ministras Carmen Lúcia e Elen Gracie, os ministros Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cesar Peluso e Celso de Mello.

Contrário ao relator
: O ministro Marco Aurélio Mello.

Dos 11 ministros, dois deles - Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito - não estiveram presentes na sessão.

Seria cômico se não fosse trágico

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pausa por uma boa causa





Meus queridos,

Houve um hiato imenso, entre as postagens, que deverá se prolongar ainda mais. Não abandonei o blog, muito pelo contrário. Tal fato se deve a um novo projeto que me absorve inteira. Torçam por mim.


"...Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar(...)

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar..."

sábado, 14 de março de 2009

A excomunhão da vítima

foto: O Globo

Após "A vingança do berimbau", resposta ao ex-diretor da Faculdade de Medicina, Dr. Natalino, que pôs em xeque a inteligência dos baianos, é hora de Miguezim responder ao bispo pernambucano que, em um ato de sandice, resolveu excomungar uma vítima de estupro, a equipe médica, o ministro Temporão...

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
Miguezim de Princesa*

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.
III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.
IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.
V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.
VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.
VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.
VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.
IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.
X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Entrevista com a garota do jornal

Nunca ninguém me entrevistou, mas quem quiser conferir esse fato inédito clica aqui